Coluna do Evaldo: O primeiro gol a gente nunca esquece
Disputei pelo Cruzeiro a Taça Libertadores de 1967. Nosso primeiro jogo na história da competição foi contra o Deportivo Galícia da Venezuela. Naquela época não havia a facilidade das imagens de televisão via satélite e nem as câmeras ultra modernas que captam todos os lances.
Não tínhamos nenhuma informação sobre a equipe. Não sabíamos as características dos jogadores e nem o estilo de jogo do time. Tudo era no peito, na raça e na categoria.
Por mais que nosso treinador Airton Moreira tentasse nos passar alguma informação sobre as equipes venezuelanas – pois também íamos jogar contra o Deportivo Itália – no fundo sabíamos que o futebol deles não era de primeira linha. Além do mais nosso time tinha uma maneira de jogar que não mudava, independente da equipe que fôssemos enfrentar.
Em campo o que vimos destas duas equipes foi uma marcação dura sem ser violenta. A vontade de ganhar de um time do Brasil era grande. O Estádio Olímpico de Caracas era bom pois servia também ao atletismo. Já o gramado era péssimo. Como nem as dificuldades diminuíam nosso entusiasmo em jogar, ganhamos a partida contra o Galícia por um a zero e perdemos boas chances de gol. Posteriormente ganhamos do Deportivo Itália por três a zero. Hoje, com toda essa história que o Cruzeiro construiu, me sinto feliz por ter feito o primeiro gol da primeira partida celeste numa Taça Libertadores.
O retorno
Dez anos depois, em 1977, eu e Natal fomos convidados por Orlando Fantoni a integrar a equipe do Deportivo Itália. Aí sim pudemos sentir como era o futebol de lá. Treinávamos no campo dividido ao meio do Colégio Dom Bosco. Em uma metade a nossa equipe; na outra a do Canárias de Caracas.
Lavávamos em casa nosso material de treino. Era obrigatório que seis jogadores da Venezuela estivessem em campo nos jogos. Foi difícil conscientizar atletas amadores da seriedade da competição. Em Mérida, cidade que fica a 11 horas de carro da capital Caracas, foram disputadas as finais do campeonato nacional daquele ano.
O presidente do Deportivo Itália me perguntou o que eu achava que deveria ser feito para que nossa equipe vencesse os jogos. Eu respondi que deveríamos viajar de avião. Assim foi feito. Ganhamos o primeiro jogo e perdemos o segundo. Depois desta temporada voltei para o Brasil e o Natal ficou por lá por mais um ano.
Outros jogadores brasileiros também passaram pelo futebol venezuelano na mesma época: Andrade, que era juniores do Flamengo, jogou como atacante em Mérida; Brito e Jairzinho, ambos campeões da Copa de 1970, jogaram no Galícia e na Portuguesa de Acarigua, respectivamente.
Hoje eu acredito que as equipes da Venezuela tenham melhorado muito pois se profissionalizaram. Podemos ter como parâmetro a seleção nacional que aprimorou bastante seu futebol. Sinal dos tempos.
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Evaldo e um prazer imenso ler o seu comentario
e a primeira vez que aqui venho
Tive o prazer e a honra de ver vc jogar
Espero que tudo esteja bem com vc e sua familia
pis vc foi um jogador que deu orgulho de ver jogando com a camisa do Cruzeiro
E VAMOS DETONAR NA VENEZUELA O DEPORTIVO